Você acabou de encontrar um apartamento que atende a todas as suas necessidades. Resta uma etapa decisiva: montar um dossiê de locação capaz de convencer o proprietário ou a agência em poucos minutos. Os documentos solicitados são regulamentados por lei, mas a forma como são apresentados muitas vezes faz a diferença entre um dossiê aceito e um dossiê ignorado.
Documentos proibidos na locação: o que um proprietário não pode exigir
Antes de reunir seus comprovantes, conhecer os limites legais evita transmitir dados sensíveis desnecessariamente. Alguns documentos são formalmente proibidos de serem solicitados, seja o locador uma pessoa física ou uma agência.
A carteirinha do SUS, um extrato bancário detalhado, um atestado de antecedentes criminais ou um prontuário médico nunca podem constar entre as exigências. Um proprietário que exigir um desses documentos se expõe a uma multa que pode chegar a 3.000 euros para uma pessoa física, ou 15.000 euros para uma pessoa jurídica.
Outro ponto a ser lembrado: a CNIL esclarece, em sua ficha de 10 de outubro de 2025, que nenhum comprovante financeiro deve ser exigido antes da visita ao imóvel. Neste estágio, apenas a identidade, os dados de contato e os critérios de busca do candidato são relevantes. Se uma agência condicionar a visita ao envio de contracheques, você tem o direito de recusar.
Um dossiê bem estruturado baseia-se nas categorias autorizadas pelo decreto aplicado à lei ALUR: identidade, domicílio, atividade profissional, recursos. Nada mais. Montar um dossiê para agência imobiliária no Tandem Immobilier permite visualizar concretamente a lista completa e suas variantes de acordo com os perfis.
Documentos de identidade e comprovantes de domicílio para um dossiê de locatário
A primeira categoria é a mais simples, mas também é onde os erros mais frequentemente bloqueiam um dossiê.

Um único documento de identidade válido é suficiente: carteira de identidade, passaporte ou título de residência com foto. A carteira de motorista também é aceita. O proprietário não tem o direito de exigir dois.
Para o comprovante de domicílio, várias opções são aceitas:
- Os três últimos recibos de aluguel, se você já for locatário, comprovam tanto seu endereço atual quanto sua regularidade nos pagamentos.
- Uma declaração de hospedagem assinada pela pessoa que lhe abriga, acompanhada de uma cópia de seu documento de identidade, é válida se você estiver hospedado gratuitamente.
- Uma declaração de seguro residencial ou a última fatura de energia em seu nome serve como prova de domicílio para os proprietários atuais.
Lembre-se de verificar a data: um comprovante de domicílio com mais de três meses será frequentemente descartado de imediato.
Comprovantes de renda e situação profissional de acordo com seu perfil
É aqui que o dossiê se personaliza mais. Os documentos variam bastante entre um empregado, um autônomo e um estudante.
Empregado em CDI ou CDD
O contrato de trabalho (ou uma declaração do empregador especificando a data de contratação, o cargo e a remuneração) constitui a base. Ele deve ser acompanhado dos três últimos contracheques e do último aviso de imposto.
Na prática, muitos locadores aplicam a regra de que a renda deve representar pelo menos três vezes o valor do aluguel. Isso não é uma obrigação legal, mas um hábito relacionado aos critérios das seguradoras de aluguel não pago.
Trabalhador autônomo ou profissão liberal
Sem contracheque, o último aviso de imposto ganha ainda mais peso. Os dois últimos balanços contábeis ou uma declaração de renda elaborada por um contador aumentam a credibilidade do dossiê. Um autônomo se beneficia ao anexar um comprovante de inscrição no registro profissional (extrato Kbis, inscrição na Urssaf) para atestar a continuidade da atividade.
Estudante ou aposentado
Um estudante apresenta sua carteirinha de estudante ou um certificado de matrícula. A renda baseia-se principalmente na do fiador.
Um aposentado transmite seu último aviso de imposto e seus contracheques de aposentadoria. A estabilidade da renda conta a seu favor: um dossiê de aposentado bem apresentado é frequentemente muito bem visto.
Fiador e alternativas: garantir um dossiê de locação frágil
Quando seus rendimentos sozinhos não são suficientes, um fiador (ou caução) tranquiliza o locador. O fiador deve fornecer as mesmas categorias de documentos que o locatário: identidade, domicílio, atividade, renda. O contrato de fiança, muitas vezes solidário, deve respeitar uma formalidade precisa para ser válido.
Você não tem um fiador em seu círculo? Duas alternativas merecem atenção:
- A garantia Visale, oferecida pela Action Logement, cobre os aluguéis não pagos e substitui um fiador físico. É gratuita para o locatário e o locador, e destina-se principalmente a pessoas com menos de 31 anos e a trabalhadores em mobilidade.
- As garantias locativas privadas funcionam como um seguro contratado pelo locatário. Elas implicam um custo mensal, mas ampliam o acesso à moradia para perfis atípicos.
- A caução bancária, menos comum, consiste em bloquear uma quantia em uma conta. Ela continua sendo uma opção para candidatos com uma poupança considerável, mas com rendimentos irregulares.

Proteger seus dados pessoais em um dossiê de locação
Enviar um dossiê é confiar informações sensíveis. Colocar uma marca d’água em cada documento enviado (menção “dossiê locação – [data]”) reduz o risco de reutilização fraudulenta. A CNIL recomenda essa prática.
DossierFacile, o serviço público gratuito, permite montar um dossiê verificado e compartilhá-lo por meio de um link seguro. Os documentos não circulam em anexos múltiplos, o que limita sua divulgação.
No lado do locador, a CNIL considera que uma conservação de três meses em base ativa é adequada para os dados dos candidatos não selecionados. Se você não tiver notícias após esse prazo, pode solicitar a exclusão de seus documentos.
Um dossiê completo, conforme às categorias legais e bem protegido, continua sendo o melhor recurso para conseguir o imóvel desejado. A rigorosidade na preparação dos documentos conta tanto quanto o nível de renda apresentado.



